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Arquivo para a categoria ‘#Homofobia’

Possíveis substitutos de Marco Feliciano, deputados do PSC enfrentam processos judiciais

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[PorAlexandre Perger]

Após muitos protestos, deve ocorrer ainda esta semana a renúncia do pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados. A saída é uma estratégia do próprio Partido Social Cristão para evitar um desgaste ainda maior que a figura do parlamentar pode gerar. Com a possível queda do pastor, o PSC deve indicar outro deputado, entre os cinco da legenda que compõe a comissão, para a cadeira. As perguntas que ficam são: qual deles tem um passado ilibado e maior identificação com a defesa dos direitos humanos?

Antonia Lucia

Na prática, a mudança não será grande. A favorita para assumir a CDHM é a vice-presidente da comissão, deputada Antônia Lúcia (PSC-AC), que possui um currículo digno de seu antecessor. A parlamentar chegou a ter o mandato cassado no final de 2011, a pedido do Ministério Público Federal. Ela foi acusada ainda de compra de votos, falsidade ideológica com finalidade eleitoral, formação de quadrilha, peculato, falso testemunho e fraude processual. Na última segunda-feira, o Ministério Público entrou com mais uma ação contra Antônia Lúcia, desta vez por improbidade administrativa. Antes de ser eleita, ela teria recebido do marido, o também deputado Silas Câmara, uma linha telefônica pós-paga da Câmara dos Deputados.

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Os outros três parlamentares do PSC na comissão também enfrentam denúncias e processos judiciais, pelos mais diversos motivos. A cantora gospel e deputada Lauriete Rodrigues (PSC-ES) é acusada de nepotismo cruzado, já que seu irmão, Levi Rodrigues Pinto, trabalha no gabinete do marido, o senador Magno Malta (PR-ES). Levi foi admitido em junho de 2011, como assistente parlamentar, com um salário de R$ 5 mil, além de outros benefícios como auxílio alimentação, transporte, e diárias por jornada extra. Em sua defesa, Lauriete disse que seu irmão não é empregado da Câmara dos Deputados, e a sua contratação não pode ser considerada nepotismo.

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Contra o deputado Zequinha Marinho (PSC-PA), pesa a rejeição da prestação de contas de uma das campanhas. As contas foram rejeitadas porque o deputado teria usado recursos que não transitaram pela conta bancária aberta para o registro da movimentação financeira da campanha e arrecadação de recursos. Além disso, o candidato teria arrecadado recursos no dia 6 de julho de 2006, antes, portanto, da obtenção dos recibos eleitorais, que foram entregues em 20 de julho de 2006.

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Para fechar, o parlamentar Hidekazu Takayama (PSC-PR) responde ao Supremo Tribunal Federal processo por crime de peculato. Entre os anos de 1999 e 2003, ele teria nomeado 12 funcionários fantasmas para seu gabinete, quando ainda era deputado estadual. Na verdade, todos trabalhavam de forma particular para o deputado e nunca receberam os salários referentes aos “trabalhos no gabinete.” Com isso, Takayama teria se apropriado do montante.

E pra você, qual o ‘favorito’ para assumir a comissão?

João Pessoa recebe ato de protesto contra o deputado federal Marco Feliciano a frente da Comissão de Direitos Humanos

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João Pessoa é uma das dezenas de cidades brasileiras que recebe neste sábado (16) uma manifestação contra a eleição do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. A concentração do ato acontece a partir das 10h, no Parque Sólon de Lucena (Lagoa), ponto de partida dos manifestantes, que se deslocarão até Praça Rio Branco, no centro da cidade. A manifestação conta com o apoio de quase quarenta entidades, incluindo partidos políticos, movimentos sociais, órgãos públicos e entidades de classe.

Em carta, as entidades repudiaram a eleição de Marco Feliciano por entender que suas declarações ferem os princípios da laicidade do Estado Republicano e vão de encontro a Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Constituição Federal, reforçando e estimulando preconceitos e a intolerância contra grupos sociais, raciais e sexuais historicamente discriminados e marginalizados. Feliciano ganhou destaque nacional com declarações de cunho homofóbico e racista, chegando a dizer que ‘africanos eram descendentes amaldiçoados de Noé’ e que a AIDS é uma doença gay, além de se opor radicalmente à igualdade de direitos aos cidadãos LGBT.

As entidades que subscrevem a carta exigem que o Poder Legislativo reverta a escolha, destituindo o Deputado Feliciano desta Comissão, sob risco de, ao dificultar a defesa dos direitos humanos, comprometer o desenvolvimento do nosso Estado Democrático de Direito e frustrar a expectativa que toda a sociedade brasileira deposita nesta instituição. “Como um parlamentar com este perfil pode garantir que esta Comissão defenderá os direitos que o mesmo está violando? Como uma liderança religiosa, oriunda de uma crença que prega a igualdade e a tolerância, se expressa de forma contrária à fundamentação deste credo religioso?”, questiona a carta.

De acordo com o presidente do Movimento do Espírito Lilás, Renan Palmeira, uma das entidades que organiza o protesto, o evento expressa a unidade dos movimentos em direitos humanos e a luta pela consolidação dos ideais desses direitos. “Buscamos dizer, com centenas de vozes diferentes, ‘fora Marco Feliciano’, que é um fundamentalista religioso, conservador, cujas atitudes vão de encontro aos ideais dos direitos humanos e do estado laico”, disse Renan.

Subscrevem a carta o Movimento do Espírito Lilás (MEL), Coletivo Feminista (CUNHÃ), Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Marcha Mundial de Mulheres, Centro de Cultura Afro Brasileira Omidewa, Centro de Direitos Humanos da UFPB, Articulação de Juventude Negra da Paraíba, Ateliê Multicultural Elionai Gomes, União Brasileira de Mulheres (UMB/PB), Coletivo Desintoca, Consulta Popular, Frente Feminista, NEP – Flor de Mandacaru, Associação de Livres Pensadores da Paraíba (ALPP), Centro Dom Oscar Romero (CEDHOR), CEDH, Assembleia Popular (AP), Comissão de Direitos Humanos da OAB, Comissão de Direito Homoafetivo e da Diversidade Sexual da OAB, Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Privado da Paraíba (SINTEENP), Conselho Regional do Assistente Social (CRESS), Igreja Metropolitana (ICM), Coordenadoria Municipal de Promoção a Cidadania LGBT e da Igualdade Racial, Núcleo de Direitos Humanos da UPFB (NDU/UFPB), Movimento Negro Organizado da Paraíba, Bamidelê – Organização de Mulheres Negras (OMN), Fórum Paraibano pela Igualdade Racial (FOPPIR), Rede de Mulheres de Terreiro, Federação dos Cultos Afros Brasileiros (FICAB), FEPUMCANJU, Ilê Tata do Axé, Setorial de Combate ao Racismo do PT-PB, Setorial LGBT do PT-PB, Comissão Setorial Municipal de Mulheres do PT-PB, PSOL, Setorial de Direitos Humanos do PV, Associação de Mulheres Trans da Paraíba (ASTRANS-PB), SOS Mata Atlântica, Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (APAN), Sindicato das Domésticas de João Pessoa e APAE.

Nota

Ellen Oléria: “Até o homofóbico tem seu lugar, contanto que não me prejudique”

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Ninguém sai de um show de Ellen Oléria da mesma maneira que entrou. Ninguém sai impune dos versos próprios (já que todos os que ela canta, sendo de sua autoria ou não, são só dela) da cantora, compositora e atriz brasiliense de 30 anos, negra, lésbica, e fora dos padrões estéticos de capa de revista feminina. Letras que falam do dia a dia das minorias, do preconceito e da discriminação encontram brechas em temas de amor, paixão e do cotidiano de Ellen, batem fundo em quem sabe bem o que tudo isso significa na pele. Pouco antes do seu show em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, em João Pessoa (PB), conversei com a ganhadora da primeira edição do reality show The Voice Brasil, na companhia de sua namorada, assessora de imprensa e companheira de todas as horas, Poliana Preta.

Texto: William De Lucca

Fotos: William De Lucca e Ricardo Puppe

William De Lucca – Você é mulher, negra, lésbica e está fora dos padrões estéticos ‘cobrados’ numa sociedade machista, misógina, racista e homofóbica. A sua presença na mídia, por si só, já pode ser considerada uma subversão?

Ellen Oléria – Acho que isso é até uma unanimidade. Acho que sim, acredito que fui fazer uma bagunça lá no The Voice Brasil. Quando fui encontrar a equipe do programa pela primeira vez, pra fazer um registro, perguntaram o que eu ia levar ao programa. Ainda sem saber muito sobre como seria o formato, eu disse que discordava da frase de Gil Scott-Heron, de que a revolução não seria televisionada, porque se eu fosse pra TV ia ter revolução (risos). Foi mesmo, pelo menos na minha vida, que hoje é outra, minha vida deu uma reviravolta. Eu fico feliz de chegar na casa de tantas famílias como as nossas, um retrato tão colorido e diverso, e poder ver tantas gerações emocionadas com esse som.

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WL – Você já disse em algumas oportunidades que não gosta de falar sobre as vezes que sofreu preconceito, mas como você lida quando uma situação dessas de discriminação acontece?

EO – Eu não sei. É o tipo de coisa que, quando a gente põe os pés no chão de manhã e escolhe a roupa pra experienciar o dia, encontrar o sol ou ver a lua, a gente não se organiza pra uma situação de violência. Não é o que a gente espera encontrar, e esse é um dos motivos pelos quais eu não assisto TV, pra não ficar ‘fervendo’ esse tipo de noticia ruim em casa. Não quero pra mim, não quero pro meu dia, eu tô chamando outras coisas. Eu vou te dizer que ante a uma situação de violência, eu só posso reagir com o inusitado. Acho mesmo que muitas vezes uma defesa vira um ataque, um contra ataque. Muitas vezes eu não estou disponível pra ocupar a função de vitima social. A violência comigo não vai ter vez não, como diria minha mãe, “quem dá, leva saco pra trazer” (risos).

WL – A homofobia no Brasil tem cura?

EO – Acho que temos varias patologias sociais no Brasil, de toda sorte. Quando observo tantas formas de culto diferentes, entendo até que o homofóbico precisa ter um lugar no planeta, contanto que ele não me prejudique. Como disse a Rita Lee, “quem não esta do meu lado, que saia da minha frente”. Eu acho que cabe também o tal do homofóbico, mas o grande lance está em encontrar essas ideologias diversas e trazer pra um plano saudável nossas garantias de espaços de atuação. Outro dia, quando eu fui visitar minha mãe, peguei um ônibus e sentei do lado de um homem branco, careca, e quando me sentei ao lado dele, ele botou a mão na divisória dos bancos, pra mostrar uma tatuagem que marca ele como parte de um grupo que diz que me odeia. O que eu posso fazer? Eu também estou indo, estou no ônibus e eu também vou, acho que a gente vai ter que dividir este espaço (risos). Se eu estou incomodando ele, de alguma maneira ele também me incomoda, acho que a gente lida com estes incômodos. Desci tranquilamente do ônibus, cheguei em casa em segurança, ele também. Acho que pode ser por aí.

WL – Gilberto Freyre disse, no começo do século passado, que o Brasil vivia uma democracia racial. Hoje, em 2013, o quão errado você acredita que Freyre estava?

EO – Nem precisava pensar nisso no nosso tempo, vendo os livros de historia a gente percebe que a democracia racial é uma balela. Sem o inocentamento do outro não há a possibilidade de ‘polis’ inter-racial, pra gente estar junto a gente precisa inocentar. Não precisamos mais desse lugar de um algoz e uma vítima, as gerações que vieram antes de mim trouxeram um debate violento, muitas vezes populista. As próprias ferramentas institucionais ainda carregam os signos dessa construção de um projeto de nação que não é pra todo mundo. A gente tem recortes de gênero, raça, econômicos, de afetividades diversas, vivemos num pais com uma herança bizarra de perseguição e extermínio de várias correntes de pensamento. A gente tinha tantas línguas aqui, a nossa cultura seria muito mais diversa. Além de seguir sobrevivendo, eu sigo procurando minha paridade, onde estão meus pares, pra gente se manter viva.

WL – Você nunca foi militante de nenhum movimento social organizado. Ainda assim, você acredita que o ‘ativismo do dia a dia’ é tão importante para as conquistas da minoria quanto os movimentos organizados?

EO – Inclusive para esta conquista eu vou até me declarar lésbica, trazer a vista. A gente em Brasília usa muito lésbica ao invés de gay pra colocar a gente embaixo do holofote, ou sapatão (risos). Acho que sim, basicamente o que importa pra mim é o cotidiano, meu projeto politico impregna as ações do meu dia, determinam minhas ações no dia. Meu discurso está cheio disso também, minha musica, minhas conversas com meus amigos, minha dieta (vegana), acho que a gente vai testando. Uma hora a gente acerta o passo e vai ter mais possibilidades de dar as mãos.

WL – E você pretende casar? Ter filhos?

EO – Na verdade, a gente já casou umas 37 vezes. [WL – e no papel?] No papel? Ainda não chamam de casamento né? [WL – Lá no Distrito Federal já dá pra casar sim…] Ah, Poli, ele está perguntando se a gente vai casar, você quer casar comigo? (Ellen gritou pra namorada, Poli Preta, que saiu correndo para abraça-la e responder que quer sim casar). Então, a gente vai casar. Varias cerimonias, votos, de tudo um pouco.

WL – Você acredita que a gente pode ter um Brasil mais tolerante amanhã?

EO – A gente precisa acreditar. Sempre perguntam que legado a gente que deixar pros nossos filhos. Eu não tenho filhos, eu quero que seja hoje, não quero pensar nisso pro futuro não, eu quero já. A gente existe e, na verdade, isso não precisava nem ser pauta das nossas conversas, a gente tem de lidar com isso. A gente está aqui também e cabe todo mundo.

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Opção sexual existe sim!

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Desde que os movimentos LGBTs começaram a conquistar um tímido (mas importante) espaço de visibilidade nas ruas e na mídia mundial e brasileira, uma discussão que surge sempre entre ativistas, pró e contra os direitos dos homossexuais é se ser gay é uma escolha ou se é algo ‘natural’. No centro deste embate, uma discussão ideológica e filológica sobre o uso do termo ‘orientação sexual’, preferido pelos ativistas LGBT, em contraponto ao ‘opção sexual’, usado por fundamentalistas religiosos e reacionários de todas as linhas.

Este último tem um caráter obviamente pejorativo e é usado para tornar a sexualidade humana (no caso, a homossexualidade), em algo menor, uma besteira que a gente faz e que amanhã pode corrigir. Ao chamar de ‘opção’, diminui-se a complexidade da construção da sexualidade humana, inerente a todas as pessoas, cujas vivências, experiências, e influências ambientais e culturais alteram o resultado final. A ‘opção’ não é uma construção, mas uma escolha. É como abrir o freezer da padaria e escolher entre tablito e chicabon, sem muita reflexão sobre o que se está fazendo. A tal ‘opção sexual’ ignora a complexidade do processo de construção da sexualidade, que influencia quem somos hoje, e reduz ao simplismo da escolha nossos afetos, nossos amores.

Os adeptos da ‘opção sexual’ adoram sustentar seu frágil argumento com a seguinte lógica: “A ciência não provou que as pessoas nascem gays ou lésbicas. Então, ser gay e lésbica é uma escolha. Se não for assim, cadê o gene gay? Onde está o DNA do homossexual?”. Como já se percebe, os adeptos da ‘teoria da opção’, gostam de reduzir a questão a um simplismo infantil. Realmente, a ciência não tem um consenso sobre o que torna pessoas heterossexuais ou homossexuais, mas sabe-se que fatores genéticos (não ligados apenas a um único gene), ambientais, biológicos e culturais moldam a sexualidade humana ainda na primeira infância, e que este processo não pode ser alterado. Ou seja: se você tiver de ser heterossexual, nada mudará este processo. A recíproca é verdadeira para os homossexuais e bissexuais.

(E outra: a ciência não provou que existe ‘gene gay’, mas também não atestou que a sexualidade humana seja passível de escolha. Nestas horas, tem muito religioso que faz ‘uso’ da ciência, mas a ignora em questões como eutanásia e aborto. É a ‘confiança seletiva’, né?)

 

Então não existe ex-gay? Existe sim!

Ok, não existe processo que altere o produto final (e natural) da sexualidade humana. Mas e como existe gente por aí dizendo que é ‘ex-gay’ ou ‘ex-lésbica’, casando, tendo filhos e vivendo uma vida (pretensamente) feliz? Simples: você não molda seus desejos, mas molda sua expressão. Você não escolhe de quem gosta, mas pode emular um sentimento, ‘fingir que gosta’, por conveniência ou opressão. Se não acontecesse assim, milhões de casamentos arranjados pelo mundo a fora não teriam funcionado durante a história da humanidade. Funcionaram, geraram filhos e ‘famílias’, que por mais falta de interesse que houvesse entre o casal, cumpriram seu papel social.

Um ‘ex-homossexual’ é uma pessoa que sente atração sexual e afetiva por pessoas do mesmo sexo, mas que reprime estes sentimentos e busca relacionar-se com pessoas do sexo oposto. Esta escolha raramente acontece de forma espontânea, natural, sendo normalmente ocasionada por pressão da família, dos amigos, da igreja e dos demais grupos sociais que o sujeito está inserido. É o caso dos padres e outros religiosos celibatários, que optam por não fazer sexo (teoricamente), nem com homens nem com mulheres. Os desejos (ou tentações, como eles gostam de chamar) estão lá, mas não encontram vazão, por um motivo ou outro. Neste caso, cabe apenas um exercício de semântica. Se um homossexual deixa de fazer sexo com homens, ele vira um ex-gay. Se um heterossexual entra para uma seita que exige o celibato, ele vira ex-hetero. Certo? Se a gente colocar nestes termos, tudo certo.


O terrorismo psicológico

Em linhas gerais, eu não veria problema algum em um hetero ou gay buscar experiências com o sexo oposto ou com o mesmo sexo, desde que estas experiências façam parte de uma experimentação saudável da sexualidade humana, sem paranóias, cobranças ou obrigações.

Um heterossexual pode experimentar sexo com o mesmo sexo e curtir, passando a ser bissexual ou até mesmo gay/lésbica. O mesmo vale para homossexuais, que durante sua vida, podem descobrir novos desejos, se atrair por outras pessoas, tentar coisas novas. Mas o processo tem de ser natural e saudável, e não imposto por ninguém.

A afetividade das pessoas, em todos os tons que possam existir, não pode ser alvo de maledicências, de ataques morais e até mesmo de terrorismo psicológico/religioso, o que tem levado muitos homossexuais, com seus desejos completamente naturais, a mutilar seus afetos, sua consciência e sua identidade. Não há paraíso, céu ou qualquer outra promessa post mortem que compense negar quem você verdadeiramente é. Não há pressão psicológica em casa, na escola ou no trabalho que não encontre ombros amigos que aceitem você como você verdadeiramente é. Nenhuma pessoa verdadeiramente de bem pode compactuar com tamanha (e silenciosa) violência.

Luiz Mott volta a detonar defensores da ABGLT em troca de e-mails

Em nova troca de e-mails, outro membro da ABGLT, o ativista Victor de Wolf, do Grupo Diversidade, de Niterói, critica o tema do Seminário LGBT do Congresso [sobre infância], e em seguida, parte para o ataque ao mandato do deputado Jean Wyllys.

A frente ficou louca??? O Jean ficou louco???

Estão propondo a nossa própria forca???

Acho bacanérrimo debater a infância, suas sexualidades, mas na academia, no CRP, não no Congresso Nacional. Isso é fatalmente pauta negativa contra nós.

Precisamos ser contra.

Victor De Wolf

Outro ativista, e membro da ABGLT, Vinícius Alves, propõe um boicote ao evento promovido pela Frente Parlamentar LGBT, presidida pelo deputado Jean Wyllys. Vinícius, à época, faz planos para que a ‘Marcha contra Homofobia’ seja um sucesso, mas pouco mais de 300 pessoas compareceram e apenas TRÊS parlamentares: os deputados Chico Alencar e Jean Wyllys (PSOL-RJ), além do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

A melhor forma de ser contra é orientar a nossa base a não aderir.

Temos foco. Audiência com a Presidência para termos um posicionamento oficial sobre nossas pautas e o debate da criminalização da homofobia, que será feito na audiência pública que a Marta Suplicy está puxando.

O Jean cria as pautas do mandato dele e acha que o movimento tem que engolir. Não acho que devemos ser publicamente contra, mas não devemos nos somar a algo que não fomos sequer consultados no processo.

Vamos que vamos, a III Marcha tem tudo para ser melhor que todas as outras. Pressionar, pressionar, pressionar, até a vitória!

Vinícius Alves

Wesley, do Fórum Baiano LGBT, preocupa-se com o tema do seminário, que foi um sucesso de público e teve debates de alto nível.

 Em reunião do Fórum Baiano LGBT realizada ontem, com a presença de 14 entidades, resolvemos, por unanimidade, fazer um ofício ao Gabinete do Deputado Jean Wyllys, alertando-o sobre o problema deste tema, nosso descontentamento e propondo uma mudança de tema.

Wesley Francisco, Fórum Baiano LGBT

Novamente, Victor critica o mandato do deputado Jean Wylls.

Wesley,

Muito bom! Parabéns pela ação.

O Jean não fez uma linha de emenda para políticas públicas LGBT no Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral. Uma pena, lamentável…

Victor De Wolf

E Wesley rejeita os ataques, enfatizando que defende apenas o tema do seminário.

Escureço que esse debate não tem a ver com as questões colocadas nesta lista. O que debatemos aqui na Bahia foi o tema do evento do Jean que, acreditávamos, poderia dar munição para nossos opositores.

Nada a ver com os desdobramentos que se seguiram sobre os eventos. Isso não era da nossa alçada.

Só para registro.

Wesley Francisco, Fórum Baiano LGBT

Para nossa alegria, novamente, Luiz Mott, co-fundador do Grupo Gay da Bahia, intervém, e restabelece a verdade, apontando as discrepâncias no discurso da ABGLT e suas afiliadas.

Militantes lgbt da bahia, abglt  e  listeiros

A explicação do Wesley, do fórum baiano lgbt, escureceu mesmo!

E confirma a falta de visão estratégica da abglt e fórum baiano e sua debilitada previsão política, já que o ato  do wylys conforme relato dos que estavam em Brasilia, BOMBOU, mais divulgado que o oficial da abglt com Martha. E não teve qualquer utilização homofóbica por parte dos nossos inimigos. Mostrem com reportagens e não com blábláblá.

Mais um erro do forum baiano, correia de transmissão acrítico e pelego do governo via abglt, que ERROU FEIO AO APOIOAR O SUBSTITUTIVO DO CRIVELA/MARTHA/ ABGLT, lembram da cartinha do forum que enviaram para a senadora Lidice e demais senadores pedindo apoio ao substitutivo, alias, nunca responderam como foi deliberado o envio desta carta, o Juvenal e demais membros do colegiado todos votaram? Ou mais uma canetada ditatorial dos atuais mandatários?

Só para registro do outro lado da historia.

Luiz Mott

 

***

ATUALIZAÇÃO (29/05/12 – 15h51)

Desmentindo Victor de Wolf, o deputado Jean Wyllys fez sim emendas para os LGBT do Rio de Janeiro, estado pelo qual foi eleito. Os dados podem ser vistos aqui.

Luiz Mott detona presidente e diretor de ABGLT em troca de e-mails

Confiram a seguir uma troca de e-mails na comunidade de ABGLT.


Companheiras/os,

Entendo que não há contradição entre as diversas formas de luta do movimento LGBT. Fazer a Marcha em Brasilia foi um passo importante na consolidação da ABGLT e das táticas do nosso movimento. Demoramos quase uma década – das cogitações iniciais à I Marcha – para concretizar a proposta, com substância política. Será que não é melhor avaliar com muita calma a III Marcha para depois querer mudar tudo, de uma hora pra outra, sem reflexão mais fina? Será que não estamos sendo apressados, voluntaristas, pensando mais com o “fígado”, impressionados com um eventual resultado abaixo da expectativa?

Não vamos jogar a criança fora junto com a água suja da bacia!!! Melhorar, reavaliar, sim. Descartar uma grande conquista e ferramenta de luta, visibilidade e incidência política, assim, “a seco”, não parece algo inteligente, nem sensato. Temos Congresso Estatuinte, temos Congresso sucessório. Dá para debater o tema com calma. No mais, uma coisa não inviabiliza outra. Podemos fazer Marchas nos Estados no início de maio e fazer a Marcha para Brasilia na semana do dia 17 de maio. Seria mais um reforço. Ou podemos fazer a Marcha à Brasília bianualmente. E a intercalaríamos com Marcha simultâneas nos Estados.

Enfim, esse é um apelo para reflexão detida, principalmente para os que estão visivelmente chateados pelos episódios da III Marcha e podem não estar com o necessário distanciamento para julgar com isenção”.

(E-mail encaminhado por Julian Rodrigues, membro da diretoria da ABGLT e da setorial LGBT do PT)

Em seguida, a resposta do presidente da ABGLT, Toni Reis, referindo-se em tom jocoso sobre a manifestação contra a ‘gayfobia’, promovido pela ONG ArtGay, de Maceió (AL).

“Julian ótimas reflexões.

Vc está sabendo da marcha dos 24 contando com o motorista? “

Julian Rodrigues responde mais uma vez.

“Toni, não, não tou sabendo.
Agora, o que me deixa perplexo são os factóides.
O que é “gayfobia”? Que autor usa esse conceito? Que movimento social convencionou isso?
Se bem para quem cria uma associação só de HOMENS, quando cada vez mais, precisamos de uma pauta feminista, de protagonismo de mulheres e trans, nada é de se espantar.
Factóides, factóides, factóides
Julian”

Finalmente, Luiz Mott, co-fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), resolve pronunciar-se sobre as barbaridades que estavam sendo ditas por dois dos maiores líderes da ABGLT.

Dr. Toni Reis, mestrando Julian e colegas

Esse vosso deboche em relação a marcha da ARTGAY em Maceió e ao conceito GAYFOBIA merece repúdio geral e vosso pedido de desculpas, pois reflete aí sim, futrica, tentativa de desmoralizar, sectarismo, desmsoralizacao de pessoas/grupos/associação que como a abglt, lutam contra a homofobia. Fogo amigo dentro de nossas ONGs?!

Lastimável. Recurso de quem está com os dias contados para perder o poder sem fazer sucessor e infelizmente, sobretudo o Toni está emporcalhando com comentários deste tipo teu antigo histórico fundamental na presidência da abglt. Não perca a compostura.

Você mesmo foi alvo de numero ínfimo de adesões por exemplo, na polemica com Malafaia, quantas das 237 ONGs da abglt te apoiaram? Nem 20.
E quantos votaram em Victor Wolf na ultima eleição on line? 14.

Quanto a acusação de julian que a ARTGAY, a marcha de Maceió e a denuncia de gayfobia são factóides, ótimo, são bons factóides sim como diz o Aurélio, ~” Fato, verdadeiro ou não, divulgado com sensacionalismo, no propósito deliberado de gerar impacto diante da opinião pública e influenciá-la:” e por acaso é mentira que nós gays somos vitiimas especificas de gayfobia? E tais factóides não ganharam mídia e fizeram certamente muitos homofobicos a reverem sua intolerância?

Julian, deixe de ser alienado e egodistonico, esssa estória de ficar defendendo mais aborto, nome social, marcha das vadias, oscambau deixando de defender nosso próprio grupo que atinge 12% de casos de HIV-aids contra 0,9% de heteros, tal omissão é o que? GAYFOBIA mesmo, como se so as pobrezinhas das outras minorias merecessem atenção. Isso é alienação, falta de autoestima, demagogia de pretensos salvadores da pátria., média com a mídia. Apoiamos sim a luta das demais minorias, intransigentemente, mas porque desprezar e menosprezar nossas próprias bandeiras enquanto gays?
Tem sentido sim nós gays nos reunirmos em associação especifica para lutar por nossas demandas especificas, como fazem os jovens, mulheres, trans, lesbicas, etc.
Quanto ao conceito de gayfobia, que elitismo academicista é esse de querer desqualifica-lo via necessidade de sua autorização e legitimação por algum “autor”. Que absurdo, desenterrar o “ex cathedra” como critério para legitimar a Vox populi gay!

Pois veja então abaixo que tanto em lingua inglesa quanto francesa GAYPHOBIA e GAYPHOBIE são correntemente utilizados. E se precisar de um autor para legitimar, o Prof.Dr.Luiz Roberto de Barros Mott, pesquisador do nível mais elevado do CNPq, Prof.Titular da UFBa, autor de verbete no Dicctionaire de l’Homophobie dirigido pelo G.L.Thin, o mesmo que instituiu o dia mundial contra a homofobia, pois é, eu LEGITIMO a correição epistemológica e justeza política ja que tenho méritos acadêmicos reconhecidos nacional e internacionalmente superiores aos curricula de vocês dois juntos e dos quantos se arvorarem em descredencia-lo. Já que apelam para a falta de um autor MAGISTER DIXIT, engulam então essa: Roma locutta, causa finita…
Tudo isso é besteira, toni e julian, é a práxis que legitima nossa luta e não conceitos teóricos, a teoria passa, caduca. Estaremos vivos pra ver as ridicularias da teoria queer caducarem de podre. Pode escrever e me cobrar!

E a atitude de vocês e dos que se opõem a ARTGAY reflete intolerância, mandonismo, resistência a dialogar com a diferença, com a oposição. Tem homofobia/gayfobia para todo mundo lutar contra. Não queiram continuar sendo donos da verdade nem se manter na hegemonia exclusiva. Tudo acaba, tudo passa, e vosso controle da abglt está com os dias contados. Profecia de Nostradamus e dos maias…
Aguardem a divulgação breve dos 10 EQUIVOCOS GRAVES DA ATUAL DIRETORIA DA ABGLT QUE JUSTIFICAM RENOVAÇAO TOTAL DE SEUS QUADROS.

Cordialmente,
Luiz Mott, co-fundador da ABGLT e Decano do MHB

Advogado e blogueiro é acusado de homofobia em Angra dos Reis

O advogado e blogueiro Kleber Mendes, de 45 anos, foi acusado de homofobia pelo colunista social Andrei Lara, ambos da cidade carioca de Angra dos Reis. Segundo informações, Andrei fez postagens em sua página do Facebook sobre a fala do prefeito Tuca Jordão em relação ao Festival da Música da Ilha Grande. Kleber, também pela rede social, teria retrucado as opiniões de Andrei, com ofensas e de maneira grosseira, ofendendo sua honra e desrespeitando sua orientação sexual.

Andrei copiou as postagens do blog Angrapol, feitas pelo advogado na noite de sexta-feira, e as apresentou na delegacia, onde abriu boletim de ocorrência. Em seu blog, Kleber Mendes retrucou: “Sempre respeitei homossexuais, porém, gays que são desrespeitadores e caluniadores não merecem o meu respeito. Estou muito em paz e no aguardo do processo. Vamos discutir agora na Justiça! Vamos intimar todos que curtiram e debocharam quando ele fez insinuações sobre minha pessoa. Sou casado e pai de seis filhos. Estamos na espera BIBA.”

(Com informações do Diário do Vale)