Diversidade, em todos os sentidos

Arquivo para dezembro, 2008

– Ludov – Kriptonita


(Ludov – Kriptonita)

– Como eu mato você?

Como eu faço pra arrancar tudo de uma vez?

Como eu faço pra tirar os pequenos pedaços das raízes
que ficaram entranhadas no chão árido do meu peito?
Como eu limpo a terra, como eu me liberto de uma vez?

Tenho de matar você pra matar isso em mim?
Tenho de me matar pra matar isso em mim?

Tenho de plantar alguma outra coisa no lugar,
pra que as palavras e as sementes sumam,
e fique na parte da memória que lhes cabe?

São perguntas demais,
e dedos tocandos meus cabelos de menos.

– Ludov – Kriptonita


(Ludov – Kriptonita)

– Como eu mato você?

Como eu faço pra arrancar tudo de uma vez?

Como eu faço pra tirar os pequenos pedaços das raízes
que ficaram entranhadas no chão árido do meu peito?
Como eu limpo a terra, como eu me liberto de uma vez?

Tenho de matar você pra matar isso em mim?
Tenho de me matar pra matar isso em mim?

Tenho de plantar alguma outra coisa no lugar,
pra que as palavras e as sementes sumam,
e fique na parte da memória que lhes cabe?

São perguntas demais,
e dedos tocandos meus cabelos de menos.

– Eu tentei.

Eu tentei.
Sério.
Convidei uma amiga para ir em uma balada comigo.
Já que eu nunca penso em ir em baladas,
e estou tentando mudar minhas atitudes em relação as coisas,
pensei, indo pra casa, que poderia ser legau.

Minha amiga desistiu,
mesmo assim, fui sozinho.

Entrei,
e vi o que sempre vi,
só que havia esquecido.

Fiquei uns 30 minutos lá dentro,
e voltei pra casa.

Acho que cansei.
Cansei de tudo isso.
De verdade.

Vou avaliar as outras opções.
E logo saberei o que fazer.

– Eu tentei.

Eu tentei.
Sério.
Convidei uma amiga para ir em uma balada comigo.
Já que eu nunca penso em ir em baladas,
e estou tentando mudar minhas atitudes em relação as coisas,
pensei, indo pra casa, que poderia ser legau.

Minha amiga desistiu,
mesmo assim, fui sozinho.

Entrei,
e vi o que sempre vi,
só que havia esquecido.

Fiquei uns 30 minutos lá dentro,
e voltei pra casa.

Acho que cansei.
Cansei de tudo isso.
De verdade.

Vou avaliar as outras opções.
E logo saberei o que fazer.

– Velório Perfeito.

Aspergir as cinzas dos retratos das paisagens que nunca visitei sobre meu corpo;

Colocar os anéis de compromisso que não tive em meus dedos, todos os mil;

Pentear meus cabelos como no casamento que não consagrei, como no nascimento de meus filhos abortados;

Resgatar os segredos das cartas de amor velhas e amassadas, e recita-las para os presentes ao velório;

Cuspir sobre meu corpo pela vergonha de tê-lo;

Me olhar com desdém como sempre o fizeram;

Agora nada Muda.

Sigam meus conselhos.

Para o meu velório perfeito.

– Velório Perfeito.

Aspergir as cinzas dos retratos das paisagens que nunca visitei sobre meu corpo;

Colocar os anéis de compromisso que não tive em meus dedos, todos os mil;

Pentear meus cabelos como no casamento que não consagrei, como no nascimento de meus filhos abortados;

Resgatar os segredos das cartas de amor velhas e amassadas, e recita-las para os presentes ao velório;

Cuspir sobre meu corpo pela vergonha de tê-lo;

Me olhar com desdém como sempre o fizeram;

Agora nada Muda.

Sigam meus conselhos.

Para o meu velório perfeito.

– Se te Queres.

Se te queres matar, por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria…
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente…
Talvez, acabando, comeces…
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém…
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te…
Talvez peses mais durando, que deixando de durar…

A mágoa dos outros?… Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão…
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros…

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada…
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas…
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além…
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido…
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia…

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos…
Se queres matar-te, mata-te…
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! …
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?

Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbihonantes
Do vácuo dinâmico do mundo…


(Fernando Pessoa)

– Hoje eu tou sozinha.

Hoje eu tô sozinha
E tudo parece ser maior
Mas é melhor ficar sozinha
Que é prá não ficar pior.

E já que eu tô só
Não sei se me levo
Ou se me acompanho
Mas é que se eu perder
Eu perco sozinha
Se eu ganhar
Aí é só eu que ganho.

(Ana Carolina)