Diversidade, em todos os sentidos

Arquivo para a categoria ‘#Outros’

O divino direito de falar merda (ou Porque religiosos não entendem nada sobre gays)

O que se pede de um grupo de pessoas que participa de um debate? Quando é descompromissado, um debate pode envolver qualquer pessoa, de qualquer formação ou grau de instrução. Aquele bate-papo de bar, de ponto de ônibus, onde cada um fala o que quer, sem o compromisso nenhum com a veracidade ou a coerência dos argumentos. Mas, o que se pede em um debate técnico, científico?

De acordo com o e zoólogo, etnólogo e evolucionista inglês, Richard Dawkins, nossa sociedade se acostumou, de maneira muito cordial, com que as visões religiosas teriam algum direito automático e indiscutível a uma posição respeitável.

“Se eu quiser que alguém respeite meus pontos de vista sobre política, ciência e arte, terei que conquistar esse respeito por meio da argumentação, da justificação, da eloqüência ou do conhecimento relevante, (…) Porque não há limites para as opiniões religiosas? Por que nós temos que respeitá-las pela simples razão de que elas são religiosas?”, questiona o cientista.

A questão é muito relevante para o atual momento brasileiro. Por que pastores, padres e outros religiosos têm suas opiniões (ou dogmas) religiosas e validadas em áreas como psicologia, psiquiatria, sociologia e direito? Por que eles têm o direito (arduamente conquistado por outros) de debater em temas como direito dos homossexuais, casamento gay, leis contra a homofobia, se eles não tem os conhecimentos exigidos para discutir sobre os assuntos?

Em relação à homossexualidade, as opiniões de religiosos são especialmente levadas a sério. Pastores oferecem ‘curas e conversões’ de orientação sexual, mesmo que a psicologia e a psiquiatria garantam (com embasamento científico) de que orientação sexual é um processo complexo e não é passível de alteração. A Organização Mundial de Saúde, os conselhos federais de Medicina e de Psicologia, além de outras diversas entidades, proíbem tratamentos para mudança de orientação sexual, por não existir NENHUM indício em relação da eficácia dos mesmos, e que eles podem causar danos psicológicos severos.

Por que pastores, padres e outros religiosos têm de participar de mesas redondas, debates e comissões legislativas sobre casamento e união civil entre pessoas do mesmo sexo, se o único argumento e conhecimento para negar estes direitos são bíblicos e teológicos. Se as igrejas não são a favor a uniões entre gays, simplesmente não as celebrem, já que cada religião tem o direito de seguir os dogmas que achem mais convenientes. Mas a crença nestes dogmas não torna um religioso mais competente para discutir direitos constitucionais do que um pedreiro, um mecânico ou um engenheiro químico.

Em um país onde o fundamentalismo e o proselitismo religioso crescem assustadoramente e se enraízam nos espaços de poder, este tipo de intervenção (ignorante, no meu ponto de vista) será cada vez mais freqüente, e precisa ser cada vez mais combatido. O direito das religiões termina quando começam os direitos humanos, e ninguém tem o direito de interferir na vida de outrem por conta de seus preceitos religiosos. A discussão teológica sobre homossexualidade e os direitos dos homossexuais são válidos, mas devem ser considerados APENAS no âmbito teológico, e não, no âmbito legal e político. Afinal, o Irã (graças a deus), é bem longe daqui.

André Matarazzo, Diretor de ‘Não Gosto dos Meninos’: “A idéia é mostrar que as pessoas podem ser gays e felizes”

Ao mesmo tempo em que atos de violência contra homossexuais tornam-se cotidianos, ações contra a homofobia e a discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgênicos ganham força. Neste embalo, será lançado durante o mês de maio deste ano, o curta-metragem Não Gosto dos Meninos, dirigido e produzido pelo publicitário André Matarazzo e pelo produtor Gustavo Ferri.

O curta-metragem teve como principal inspiração a campanha internacional contra a homofobia “It Gets Better”, que reuniu depoimentos de gays, lésbicas e apoiadores dos direitos humanos, incluindo o Presidente dos EUA, Barack Obama. Na versão brasileira, o projeto reuniu 40 pessoas que contaram suas histórias de vida, completamente distintas com um objetivo comum: mostrar que são felizes sendo gay.

Por telefone, o Blog do @DeLucca conversou com Matarazzo, publicitário de 36 anos e dono da Agência Gringo, sobre como aconteceu a concepção do filme, sobre homofobia e preconceito.



William De Lucca – Muitos diretores escolhem o nome do filme depois que ele está pronto. Como surgiu o nome do filme? Como ele foi concebido?

André Matarazzo – Na verdade a gente queria um nome que não fosse muito evidente. O filme já tem uma mensagem muito evidente pra quem assiste, que é mostrar que a vida de pessoas gays é normal, super diversa, e que não é apenas o estereótipo mostrado pela mídia. Outro objetivo do filme é mostrar que, depois que você passa por um período mais complicado, de aceitação, você acaba se encaixando e sua vida fica uma delícia. Queríamos mostrar gente que tinha passado por isso e não queríamos usar nomes comuns como ‘Somos Todos Iguais’, ou coisa do tipo, já que isto estava muito claro na história. Então, resolvemos criar algo um pouquinho misterioso, que todo mundo está se perguntando: “Porra, vocês não são gays, não gostam de meninos?”. Ainda não vou revelar o que é exatamente, mas é bem interessante.
De Lucca – Como foi a seleção das personagens que compõe o curta?

Matarazzo – São quarenta pessoas entrevistadas durante o filme. Eu me interessei pelo projeto depois de ver aquele projeto americano “It Gets Better”, onde inclusive o pessoal da Produtora Pixar participou, e pensei que seria super legal fazer isso na minha empresa, que tem um ambiente super legal, todo mundo sabe que eu sou gay, meu namorado sempre vai lá. Mas, como lá só tem três ou quatro gays, achei que era pouca gente, não teria a força que tem um monte de gente, e eu queria passar uma mensagem legal pra esta geração nova que está aí e que não tem modelos. Pra que eles possam chegar e dizer ‘porra, posso ser igual a esse cara’. Daí, encontrei o Guga (Gustavo Ferri), que tem uma produtora e que já faz vários trabalhos para agências de publicidade e convidei-o para o projeto e ele topou na hora e fomos atrás de pessoas interessadas. Postei no blog da minha empresa, no facebook, que estávamos procurando gente para o filme, e muitas pessoas quiseram participar, tivemos mais de 400 interessados. Como fizemos as gravações todas em um dia, em São Paulo, alocamos uma hora pra cada um e não teríamos como dar espaço pra todo mundo, mas as pessoas ficaram muito interessadas em falar da sua vida, elas estão mais abertas e com menos medo.
De Lucca – Como você encara essa onda de ataques homofóbicos pelo Brasil? A que você atribui este aumento?

Matarazzo – Eu acho que isso é uma relação simples de visibilidade. Quanto mais natural uma coisa é, mais ameaçada fica a pessoa que é insegura sobre aquela coisa, como a sexualidade. Então quando você tem um grupo de gays sem nenhuma voz, nenhuma visibilidade e quando eles aparecem são alvos de chacota, é cabeleireiro bichinha, o costureiro da novela, tudo fica razoável, porque é um personagem cômico. Agora qu
ando você começa a mostrar além do personagem cômico, que esse cara gay pode ser teu irmão, o cara que trabalha com você, isso intimida muito, e aí começa um movimento contrário, de expulsão. Eles pensam “caralho, esses caras estão muito mais próximos do que eu imaginei, então eu vou dar porrada nesse filho da puta e mostrar quem é quem”. Acho que é um movimento que não tem retorno, acho que quanto mais visível isto tudo é mais ameaçado se sente quem não consegue lidar com as diferenças.

De Lucca – A Campanha It Gets Better teve uma adesão muito grande nos EUA, inclusive com a participação do Presidente Obama em um vídeo. Você acredita que um projeto como esse tenha uma adesão desse tipo no Brasil?

Matarazzo – Estamos fazendo algo um pouco diferente da campanha americana, nossa mensagem mais importante é mostrar que tinham pessoas com vidas normais, que não tem medo, e que vivem uma vida ótima, por mais que falem publicamente sobre sua orientação sexual. Nosso interesse não era arrancar pessoas do armário ou que as pessoas postassem vídeos dizendo ‘eu apoio a causa’, eu não queria isso. Imagina fazer um vídeo para um garoto de 15 anos, do interior de Santa Catarina, que tem modelos sobre ‘ser gay’ péssimos e que não pode nem imaginar que pode ser gay de forma natural, e que esse garoto possa imaginar “Caralho, olha essas pessoas, eu posso ser como um deles”. Este era nosso objetivo principal. Não vamos pedir para as pessoas fazerem os vídeos delas, participarem desta forma, ainda não estamos preparados pra isso agora, pode ser uma evolução, mas agora queremos passar esta mensagem.
De Lucca – Você acredita que este filme possa ter alguma influência política?
Matarazzo – Eu adoraria, mas não sei se isso vai acontecer. Nunca foi uma pretensão nossa, não somos militantes, nunca fiz nada com a temática gay, embora seja gay, o Gustavo não é gay, então não temos como interesse primário mexer com movimento político. Nossa intenção é ajudar uma pessoa que está precisando de apoio, de modelos, que está pensando que está fodido, sozinho no mundo, ele precisa ver este filme, só. Se isso acabar resvalando, tocando a opinião pública e ajudar em alguma outra coisa seria fenomenal, mas a gente não tem isso como interesse inicial.
De Lucca – Como será o lançamento do filme? Vocês já pensaram em um esquema para distribuição do filme?
Matarazzo – Não sabemos ainda a duração do filme, ainda estamos editando, mas ele deve ter entre 10 e 15 minutos. A distribuição vai ser da forma mais democrática possível, logo que for lançado ele estará disponível na internet pra que ele seja visto pelo maior número possível de pessoas, mas também queremos levá-lo para festivais, mostras, para que o filme tenha a maior visibilidade possível e possa ajudar muita gente.






Entrevista exclusiva: Jornalista Carol Almeida, criadora do #EuSouGay, fala sobre sucesso do projeto












Em duas horas, o debate sobre a homofobia e o preconceito entraram novamente na pauta da rede social que mais cresce na atualidade, o Twitter, mas desta vez, de forma positiva. O movimento afirmativo #EuSouGay, criado pela jornalista paulista Carol Almeida, 32 anos, alcançou o topo dos tópicos mais comentados no microblog em apenas duas horas, na tarde desta terça-feira (12). “Depois de criado o blog, onde postei pela primeira vez sobre o movimento, às 16h, a repercussão foi enorme. Às 18h, o #EuSouGay já estava no topo dos assuntos mais comentados e isso é muito bom”, afirma a jornalista, em entrevista por telefone.

Lésbica, Carol disse que sempre se sentiu incomodada com a violência contra homossexuais, mas que o caso do assassinato de Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, encontrada morta em Itarumã (GO), no último dia 6, a deixou transtornada. “Fiquei com esta história aberta no meu computador por algum tempo, e senti que precisava fazer alguma coisa. Foi aí que a idéia deste movimento ganhou força. Falei com colega de trabalho, que me incentivou, e fico muito satisfeita com a repercussão positiva até agora”, conta.

Adriele foi morta pelo fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, de 17 e 13 anos, e segundo o delegado que investiga o caso o crime teria sido motivado por homofobia, já que Adriele era namorada da filha do fazendeiro, que nunca admitiu o relacionamento.

A jornalista lembra também da onda crescente de crimes homofóbicos no Brasil, que registrou um aumento de mais de 30% em assassinatos de gays, lésbicas e travestis em 2010. “Me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão. Todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual e por isso este movimento é mais amplo, é para todos que abominam o preconceito”, diz.

Como estratégia para divulgar a causa, a jornalista usou as redes sociais, que rapidamente colocaram o assunto na pauta das discussões. “Pensamos inclusive no nome. Dizer ‘não’ é algo ruim, então a idéia é afirmativa e não negativa. Precisamos ter o entendimento entre as pessoas e entre as diferenças que existem entre elas, e respeitar estas diferenças. Falamos #EuSouGay, mas este é um movimento de afirmação para todas as minorias, que são extremamente discriminadas no Brasil”, explica Carol, revelando ainda que centenas de pessoas já enviaram fotos para o e-mail, inclusive celebridades, cuja os nomes ainda não serão divulgados. “Aos poucos vamos divulgando algum material no blog para o pessoal poder conferir quem está participando e apoiando o projeto”, adianta.

Como tudo aconteceu mais rápido do que o planejado, a idealizadora do projeto ainda não tem outras ações elaboradas, além da proposta original: a edição de um vídeo com as fotos enviadas pelas pessoas para o e-mail projetoeusougay@gmail.com, segurando um cartaz ou placa escrita #EuSouGay. “O vídeo será produzido pelo diretor Daniel Ribeiro, que tem me apoiado muito neste projeto, e acredita que ele tem tudo para dar certo. É preciso dar um rosto a este movimento contra a intolerância, repercutir este vídeo, inicialmente. Depois temos que leva-lo para a maioria de lugares possível, para que ele tenha um efeito social e principalmente político, inclusive em Brasília”, projeta Carol.

Daniel Ribeiro é um cineasta paulista, premiado em dezenas de festivais no Brasil e no exterior, e que dirigiu os curtas metragens Café com Leite (2007) e Eu Não Quero Voltar Sozinho (2010). Os dois filmes têm temática LGBT.
Crescimento da homofobia

Em relaç
ão a onda de homofobia divulgada recentemente pela imprensa e pelas redes sociais, Carol acredita que o fenômeno não seja novo, mas que vem ganhando mais visibilidade nos últimos meses. “Acho que o ódio contra as minorias sempre existiu, mas nestes últimos anos as redes sociais têm aumentado o acesso as informações, e esta amplitude é um pouco assustadora, já que agora as pessoas se dão ao direito de mostrar quem elas são, inclusive as preconceituosas”, explica.

A jornalista espera ainda que o movimento #EuSouGay dê ainda mais visibilidade a outras ações de combate ao preconceito, e que fortaleçam ainda mais a luta pelos direitos LGBT no Congresso. “Os deputados que estão do nosso lado tem de trabalhar para que a lei contra a homofobia seja aprovada”, finaliza.

Arrombando a porta dos armários

Só quem é gay (ou LGBT, pra ser politicamente correto) sabe o quanto é difícil fazer o outing, ou seja, sair do armário da hipocrisia para um mundo heteronormativo hostil e que não respeita a diversidade. Muitos passam a vida vestindo e trocando as mascaras da conveniência e nunca abrem o jogo sobre sua orientação sexual, nem com seus amigos mais próximos. Uns não abrem o jogo nem pra si mesmos. Este medo (justificável, é verdade), talvez seja um grande impeditivo para a visibilidade e os avanços dos diretos dos LGBTs no Brasil.

A argumentação dos que falarão contrariamente ao chamado para que arrombemos as portas dos armários tem seus méritos. A sexualidade (e sua orientação) é um aspecto da vida privada de cada um, e ela deve manter-se neste âmbito, de acordo com o desejo de cada um. O que proponho aqui é um chamado aos que são bem resolvidos em relação a sua sexualidade e em como expressa-la. Também deixo claro que em alguns ambientes, as demonstrações deste tipo são temerosas, mas o risco existe em qualquer lugar, até nos ambientes mais amigáveis aos homossexuais.

O cineasta americano Michael Moore, em seu último filme, Sicko, fez um comparativo sobre a vida das pessoas com deficiência física nos Estados Unidos e nos Países Escandinavos. Ao chegar a Suécia, Moore ficou impressionado com a quantidade de pessoas com algum tipo deficiência física nas ruas, e foi questionar as autoridades locais sobre uma possível guerra ou surto de uma doença generativa. Ele descobriu que, na verdade, apesar de parecer em número muito maior nas ruas, a cidade tem um número de deficientes muito menor do que qualquer grande cidade americana, mas com uma diferença: eles saem nas ruas, são vistos. Eles existem.

A passagem ilustra meu ponto: gestos de afeto em público ajudam as pessoas a verem casais homossexuais como ‘normais’, mesmo dentro de um ambiente heteronormativo. Nós temos que existir, que marcar território, e gritar, silenciosamente, que estamos ali. Como diria meu pai, ‘quem não é visto, não é lembrado’. Respeitando os limites que todos nós gostamos de ver respeitados, já que hoje em dia casais heteros estão transando e se amassando em todos os cantos, nós, comunidade LGBT, devemos dar o exemplo, demonstrando publicamente nosso afeto, sem desrespeitar ninguém.

Andar de mãos dadas nas ruas, mesmo das cidades pequenas, dar um beijo carinhoso no namorado no restaurante, abraçar a namorada na fila do cinema, apresentar o ficante como ficante mesmo, e não como ‘amigo’. São pequenas ações que dão visibilidade a diversidade. São pequenas ações que demonstram que existem LGBTs em todos os cantos, de todos os jeitos, e que a homofobia, a intolerância e o preconceito não têm vez contra uma multidão que luta pela diversidade, pelo respeito e pelo amor.

Movimento Catarinense LGBT lança nova logomarca e twitter

O Movimento Catarinense LGBT (MCLGBT) definiu oficialmente nesta terça-feira (01) sua nova logomarca. O trabalho foi produzido pelo publicitário Ismael Ramos, de Joinville, membro do Movimento e da Associação Arco Íris. Além disso, a página do twitter do Movimento passou a ser atualizado diariamente, com notícias sobre o MCLGBT no Estado e outras informações relativas, pelo endereço http://www.twitter.com/mclgbt/.

De acordo com o publicitário, a logomarca foi desenhada em um momento em que o MCLGBT está conseguindo atingir grande parte do Estado, investindo seus esforços em interagir com a maior parte da comunidade LGBT. “A idéia é representar graficamente a integração da mobilização LGBT em Santa Catarina. Os elementos interligados remetem a essa estrutura de rede que está acontecendo, e as cores são a representação da diversidade contemplada no principal símbolo LGBT, o arco-íris”, explica Ismael.
O publicitário destaca que o mais importante nesta comunicação visual que foi desenvolvida, é traduzir em imagem que o Estado tem representação LGBT. “Nossa intenção foi fazer com que os LGBT se sintam inseridos dentro desse contexto, e possam dizer que seu Estado tem sim pessoas comprometidas com o Movimento LGBT”, finaliza.

Movimento Catarinense LGBT propõe criação de Coordenadoria pelo Governo do Estado

A diretoria do ROMA (Núcleo de Diversidade Sexual da Grande Florianópolis) entregou na última sexta-feira (21), um ofício na Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina, propondo a criação da Coordenadoria de Políticas Públicas de Promoção LGBT de Santa Catarina (CEPLGBT/SC).


De acordo com o Coordenador do núcleo, Fabrício Lima, a proposta já havia sido apresentada ao Governador do Estado, Raimundo Colombo, ainda durante a campanha eleitoral de 2010 por integrantes do ROMA e do Movimento Catarinense de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trangêneros e Transsexuais (MCLGBT). “Na ocasião, ficou acordado junto os assessores do então candidato ao Governo que faríamos uma reunião após sua posse, para que pudéssemos apresentar oficialmente a proposta de criação da Coordenadoria”, conta Fabrício.


O Coordenador da entidade ressalta ainda a importância da criação da CEPLGBT/SC, comparando com outras Coordenadorias que já estão previstas na reforma administrativa promovida pelo Governo do Estado, como a da Igualdade Racial e Pessoas com Deficiência. “Precisamos de políticas públicas afirmativas que sejam efetivas em relação aos LGBT. Por isso, com o apoio de dezenas de entidades, buscamos a criação desta Coordenadoria, para que esta possa promover a cidadania destas pessoas”, explica.


Fabrício destaca que a proposta de criação de uma coordenadoria estadual já vem sendo discutida pelo MCLGBT desde a Conferência Estadual GLBT, e da Conferencia Estadual de Direitos Humanos, realizadas em 2008. A criação da Coordenação conta com o apoio, além do ROMA e do MCLGBT, do Movimento LGBT de Itajaí, do Transgrupo Mirna Di Buarque, de Balneário Camboriú, da Associação Arco-Íris, de Joinville, da GATA, de Tubarão, pelo Movimento LGBT de Criciúma, Grupo LGBT Liberdade de Blumenau, entre outros.

Remar.

Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma.

Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também!

Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade!

Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também.

Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir.

Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo.

Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!

Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena.

Que por você vale a pena.
Que por nós vale a pena.

Remar.
Re-amar.
Amar.

(Caio Fernando Abreu)