Diversidade, em todos os sentidos

Arquivo para maio, 2011

Vereador Éder Kommers (PT) propõe Dia Municipal de Combate a Homofobia em Itapema

A lei que institui 17 de maio como Dia Municipal de Combate a Homofobia, proposta pelo vereador Éder Kommers (PT), deve ser votada na sessão desta terça-feira (31) na Câmara de Vereadores de Itapema. O projeto de lei 13/2011 será um marco na defesa dos direitos de gays, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais e transgêneros (LGBT), vítimas agreVereador Éder Kommers (PT) propõe Dia Municipal de Combate a Homofobia

A lei que institui 17 de maio como Dia Municipal de Combate a Homofobia, proposta pelo vereador Éder Kommers (PT), deve ser votada na sessão desta terça-feira (31) na Câmara de Vereadores de Itapema. O projeto de lei 13/2011 será um marco na defesa dos direitos de gays, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais e transgêneros (LGBT), vítimas agressões e de preconceito motivados por intolerância.
A criação do Dia Municipal de Combate a Homofobia trará a tona o debate dos direitos das minorias e orientará o Poder Executivo a criar programas e ações afirmativas em relação à orientação sexual e combate ao preconceito. “A atitude homofóbica inevitavelmente leva à injustiça e à exclusão social de quem a sofre”, disse Éder.

Preocupando-se com esta exclusão social, Éder diz que o dia servirá para que haja o debate sobre o direito a livre orientação sexual e incentivo à ações que proporcionem a discussão e reflexão salutar, considerando os quadros de violência e discriminação contra LGBTs no país, pois seus direitos são negados diariamente pelo legislativo que deixou de criminalizar atos homofóbicos, diferentemente do que ocorre com cidadãos que sofreram injúria em razão de sua raça, cor, etnia, religião ou origem, e trazendo a discussão também para o Município.

A criação do Dia de Combate a Homofobia faz parte de uma iniciativa do ativista LGBT William De Lucca, que pretende apresentar propostas semelhantes em outras cidades da região, e que em Itapema foi prontamente adotada pelo Vereador. “Todos os dias, gays e lésbicas sofrem com o preconceito e a intolerância, dentro de casa, na escola, no trabalho, nas ruas, e o estado precisa tomar uma posição em defesa dos direitos humanos”, diz William, lembrando que só em 2010 foram 260 homossexuais mortos em crimes de caráter homofóbico.
ssões e de preconceito motivados por intolerância.

A criação do Dia Municipal de Combate a Homofobia trará a tona o debate dos direitos das minorias e orientará o Poder Executivo a criar programas e ações afirmativas em relação à orientação sexual e combate ao preconceito. “A atitude homofóbica inevitavelmente leva à injustiça e à exclusão social de quem a sofre”, disse Éder.

Preocupando-se com esta exclusão social, Éder diz que o dia servirá para que haja o debate sobre o direito a livre orientação sexual e incentivo à ações que proporcionem a discussão e reflexão salutar, considerando os quadros de violência e discriminação contra LGBTs no país, pois seus direitos são negados diariamente pelo legislativo que deixou de criminalizar atos homofóbicos, diferentemente do que ocorre com cidadãos que sofreram injúria em razão de sua raça, cor, etnia, religião ou origem, e trazendo a discussão também para o Município.

A criação do Dia de Combate a Homofobia faz parte de uma iniciativa do ativista LGBT William De Lucca, que pretende apresentar propostas semelhantes em outras cidades da região, e que em Itapema foi prontamente adotada pelo Vereador. “Todos os dias, gays e lésbicas sofrem com o preconceito e a intolerância, dentro de casa, na escola, no trabalho, nas ruas, e o estado precisa tomar uma posição em defesa dos direitos humanos”, diz William, lembrando que só em 2010 foram 260 homossexuais mortos em crimes de caráter homofóbico.

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O dia em que contei pro meu pai que sou gay

Ontem, depois de algum tempo, resolvi contar pro meu pai que sou gay. Poderia ter sido por telefone, mas mesmo lidando bem com isso, só tinha receio que duas pessoas no mundo não lidassem bem com a informação: meus pais. Como moro com minha mãe, e eles estão separados há alguns anos, meu pai, que mora em João Pessoa (PB), não acompanhou meu processo de amadurecimento e de aceitação de minha orientação sexual. Então, compartilho com vocês o e-mail que enviei, e abaixo, logo após uma breve ligação, a SMS que recebi dele hoje, Dia Mundial de Combate a Homofobia.

***

Meu e-mail:

Oi pai,

 

Então, não sei exatamente como falar isso com você, se é melhor dar uma enrolada antes, ou ir direto ao ponto. Minha mãe conversou comigo sobre você ter perguntado pelo telefone sobre eu ter namorada ou coisa do tipo, e, bem, se você algum dia já desconfiou, eu te falo: eu sou gay.

 

Talvez você não tenha notado porque está longe há muito tempo, e não acompanhou o meu processo de amadurecimento, onde eu aceitei isso pra mim, e passei a viver essa identidade sem problema nenhum.

 

Não foi fácil, não é fácil, é complicado pra caramba até pra mim.

 

Além de ter que ganhar o respeito de si mesmo, ainda tem o preconceito das pessoas, da sociedade, de alguns amigos, de familiares, enfim, é algo foda. Deve estar sendo foda pra você ler isso, mas acredite, está sendo muito mais foda pra mim ter de falar sobre o assunto, porque pra mim é algo tão natural que o medo de não ser compreendido por isso é grande.

 

Eu sei que não é exatamente o que os pais idealizam isso pros filhos, mas eu não tenho o que fazer em relação a isso, nem ninguém tem, então o jeito é aceitar e viver a vida numa boa né?

 

Acho que a única pessoa, fora a minha mãe, pra quem eu contei assim diretamente, foi você. E só eu sei o aperto no peito que me dá falar isso pra você, porque o mundo pode me rejeitar como eu sou, mas as duas únicas pessoas das quais eu tinha medo de não aceitar isso são vocês dois, os únicos que eu realmente me importo.

 

Estava esperando um momento oportuno para falar sobre isso, mas a gente não se vê faz tanto tempo, e nas duas oportunidades que você esteve aqui desde que você e a mãe se separaram, eu não me senti a vontade para falar sobre isso.

 

Espero que você lide bem com isso. Sei que você vai lidar.

Acho que depois de (espero) você levar isso de boa vou me sentir bem mais leve.

 Eu amo muito você,

 

Beijo,

William

***

A SMS do meu pai:

Nunca esqueça, TE AMO E SEMPRE TE AMAREI SEMPRE, do jeito que deus te mandou. Beijos!

***

Logo depois, chorei por 15 minutos, de emoção e alívio, e respondi a SMS:

Tu não tem idéia de como tu me deixou feliz hoje, nego. Eu te amo e me orgulho muito de ter um pai como você. Beijo!

***

E o dia 17 de maio de 2011 ficará marcado como o dia em que arrebentei a última corrente que me prendia ao armário do anonimato. Sai do meu último esconderijo, do matei meu último leão do preconceito, e sai do escuro da caverna da rejeição correndo para os braços (sempre abertos) do meu pai. E foi muito, MUITO bom. 🙂

 

***

 

Atualização (em 02/01/12)

Minha tia avó Esmeralda (tia da minha mãe), que mora em Santos, leu esse post via Facebook e me mandou o seguinte comentário:

“Meu sobrinho… me coloca na lista dos sabedores e que respeitaram sua decisão e que nem por isso deixou de te amar muito! Ninguém precisou me contar, eu já sabia. Bjos e bom ano para vcs!!!”

Mais gente da família tolerante e amando, sem preconceitos.

🙂

A união civil e o renascimento da esperança

Ontem, uma batalha foi vencida, de uma guerra ancestral, injusta, imoral. Ontem, os 10 juízes do Supremo Tribunal Federal usaram a luz da razão e da Constituição para iluminar o caminho dos casais homoafetivos em sua busca por cidadania plena e por direitos humanos. E tudo isso, vejam bem, não por conta da decisão unânime de estender aos casais gays um direito que lhes é devido por justiça. Não por conta das argumentações brilhantes de cada um deles, ao justificar seus votos favoráveis à decisão, respondendo a cada argumento de ódio, intolerância e fanatismo religioso com amor, respeito à diversidade e laicidade. Não, isso tudo era justo, era esperado, tinha de ser.

Ontem, os 10 ministros do STF marcaram a trajetória dos homoafetivos do Brasil, em uma decisão emblemática e histórica. Ontem, eles decidiram pela justiça ante a injustiça, pela humanidade ante a marginalidade, pela racionalidade ante a ignorância fanática. Abriram a porta de um mundo mais democrático, justo e igualitário a um grupo de pessoas marginalizadas pela lei, violentadas nas ruas, humilhadas dentro de casa. Mais do que permitir a união de casais do mesmo sexo, a decisão do dia 05 de maio de 2011 deu aos LGBTs deste país, esperança.

Esperança de acreditar que amanhã outras dezenas de decisões serão tomadas, e de que ele, gay, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais, trangêneros, heterossexuais, e toda a sorte de gente com toda a sorte de orientação sexual que haja neste país tenham direitos, deveres e oportunidades iguais. Esperança de em um futuro breve poder sair de casa de cabeça erguida, sem temer que esta seja atingida por uma lâmpada, taco de basebol, faca ou qualquer outro instrumento de ódio e preconceito. De poder ir a escola ser chamado de ‘viadinho’ ou coisa que o valha, que ofenda, humilhe e violente psicologicamente jovens gays. De poder ser contratado em empresas por sua competência e não por conta de sua orientação sexual. De poder ter, enfim, dignidade.

Esperança de ver surgir no horizonte um freio aos desmandos de meia dúzia de fanáticos religiosos que querem impor seus códigos morais sobre toda a sociedade, sem ao menos pensar se tem o direito de fazer isto. Esperança em ver que o Brasil ainda respeita sua Constituição, que dá a liberdade de crença a cada brasileiro, pra que este viva sua religião e os códigos morais que esta os sugere e que deixe quem tem visões diferentes do mundo viver de forma digna.

Hoje, o Brasil acordou mais diverso, mais tolerante, mais humano. Se não temos todos os direitos que merecemos, ao menos, temos a esperança de ver um sonho tão simples, o de ser igual na diversidade, como realidade. Se não temos o respeito que merecemos, voltamos a ter ao menos esperança. Que venha o amanhã.