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“Penso em me matar todos os dias”, diz homossexual ameaçado de morte por torcedores

Rommel Costa tem 27 anos, mora em Fortaleza (CE) e já pensou diversas vezes em se matar. O motivo? Uma foto tirada junto a um ex-namorado, onde usava a camisa da torcida organizada de um time de futebol cearense, onde Rommel era beijado e abraçado. Desde a publicação da foto, há seis anos, Rommel teve de largar a faculdade e passou a sofrer ameaças de morte pela internet, de torcedores de vários times cearenses. “Hoje eu tenho medo de sair de casa”, confessa.

A confusão começou quando o jovem ganhou de presente de sua tia, uma camisa de uma torcida organizada de o Ceará Futebol Clube, a Cearámor. Vez ou outra, Rommel usava a camisa, mesmo não sendo espectador assíduo de jogos de futebol e sem nunca ter assistido uma partida em um estádio. “No dia em que a foto foi tirada, em 2006, fui encontrar meu namorado em um shopping da cidade, e resolvi usar a camiseta. Estávamos andando de mãos dadas, quando uma moça se aproximou e perguntou se poderia tirar uma foto nossa”, relata.

De acordo com Rommel, a garota havia se apresentado como funcionária do Shopping Benfica, apesar de estar sem uniforme, e disse que a foto iria para uma campanha alusiva ao Dia dos Namorados. Na verdade, a jovem era funcionária da loja oficial de uma torcida rival, a Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), e divulgou as imagens na internet com frases de conteúdo homofóbico, inclusive incitando a violência contra Rommel e o namorado. “Depois de uma semana, recebi um telefonema de um amigo do Rio de Janeiro que viu as fotos na internet, e que elas estavam sendo enviadas para muita gente, inclusive para meus parentes e amigos. Além disso, fui constrangido por uma diretora do próprio shopping, que me disse que não deveria ter feito ‘aquilo no shopping dela”, revela.

Ele conta que depois que as fotos se espalharam pela internet, foi ameaçado diversas vezes, inclusive por integrantes da própria torcida do Ceará. “O líder de uma das torcidas disse no Orkut para que me encontrassem na cidade para me ‘apagar’ e ficaram marcando encontros para me agredir fisicamente. Minha vida foi um inferno durante mais de um ano. Mudei de telefone, parei de ir para a faculdade, tive de mudar muitos hábitos”, diz Rommel, que hoje trabalha em navios de cruzeiro, e passa a maior parte do ano em alto-mar.

Segundo ele, após dois anos de ameaças, os problemas diminuíram e só retornaram há alguns meses, com a popularização do Facebook no Brasil. “Sempre denuncio as postagens ofensivas, mas elas sempre reaparecem. Minha vida voltou a ser um inferno, algo terrível. Me ofendem por conta de uma maldita camisa, porque eu beijei meu namorado vestido com ela”, desabafa.

A pior parte ainda estava por vir. Ao procurar a Delegacia do 13º distrito de Fortaleza, Rommel ouviu que as postagens tratavam-se de ‘brigas infantis, coisa de internet’, e que ele estaria perdendo tempo caso tentasse levar as denúncias a diante. “Desde então, quase não saio de casa, durmo a base de remédios. Acho que esta situação é desumana, e tudo por conta da homofobia e do preconceito envolvendo torcidas de futebol”, finaliza o jovem. Hoje, Rommel, aos 27 anos, é mais um prisioneiro condenado a prisão perpétua pela homofobia no Brasil.

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