Diversidade, em todos os sentidos

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Sobre postagens combatendo a intolerância e a censura fundamentalista

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Em menos de uma semana, fui bloqueado pela segunda vez no Facebook. Nas duas, fiz postagens que alcançaram um grande alcance (uma teve 20 mil compartilhamentos, a outra chegou a quase 50 mil), ambas falando sobre como os direitos dos LGBT são desrespeitados sistematicamente.

No primeiro post, falava sobre o caso da atriz Viviane Beleboni, que é travesti, e que encenou Jesus Cristo durante a Parada do Orgulho LGBT deste ano. Na montagem, reproduzida abaixo, falei sobre a morte cotidiana de travestis e transsexuais no Brasil, o país que mais mata por identidade de gênero no mundo, e que empurra este grupo para a margem da sociedade.

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O post foi reproduzido em comunidades e páginas de combate a transfobia, e rapidamente chamou a atenção de fundamentalistas religiosos, ofendidos por ter uma mulher de peito de fora interpretando seu messias, mas ignorando solenemente que a denúncia feita por Beleboni e pelo meu post falavam sobre uma violência muito mais real do que a alegada violência simbólica sofrida por religiosos pretensamente ofendidos.

Resultado: tive posts denunciados por nudez que nem foto exibiam, e que foram denunciados para o Facebook. Este, por sua vez, mostra-se extremamente inócuo em julgar o que viola seus códigos de conduta, e me bloqueou por um dia. Os relatos de posts apagados de forma arbitrária e ativistas de movimentos sociais bloqueados sem terem descumprido nenhuma das normas da rede social se acumulam.

Poucos dias depois, um outro post denunciando violência contra LGBT, e que alcançou uma grande popularidade, foi alvo de ataques. No texto, eu falava sobre a morte do menino Rafael Melo, morador de Cariacica (ES), assassinado aos 14 anos de idade por conta de sua orientação sexual. A foto postada, que estampou as principais capas dos jornais e sites capixabas, mostrava o corpo de Rafael, sem detalhes ou, principalmente, elementos grotescos. Apenas seu pequeno corpo de criança, jazendo no meio da rua.

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No texto, eu pedia desculpas para Rafael por não ter feito nada por ele, e sem para as outras milhares de crianças mortas por conta de uma afetividade que muitas vezes não chegaram nem a viver, mas que já as condenou a morte. Foram quase 70 mil compartilhamentos apenas neste post, sem contar as pessoas que reproduziram o texto de outras formas em suas páginas e grupos. Novamente, dezenas de denúncias e agora três dias sem poder utilizar o Facebook.

Os dois casos em menos de uma semana mostra como postagens de combate a intolerância a gays, lésbicas, bissexuais e e transgêneros são alvo de verdadeiros esquadrões censores, formados com conservadores, reacionários e fundamentalistas evangélicos, em sua maioria. Aproveitando-se da fragilidade do sistema de denúncia do Facebook, estes grupos promovem uma verdadeira limpeza em posts que denunciam a violência que estes mesmos defendem, incentivam, promovem. Assim, na rede social mais popular do ocidente, estes grupelhos fazem o que gostariam de fazer em larga escala: silenciam quem denuncia os crimes que seus iguais cometem.

Ao mesmo tempo, centenas de milhares de páginas promovendo discurso de ódio, pregando a indignificação de grupos minoritários e trabalhando ativamente contra os diretos destas pessoas, seguem ativas, contrariando o mesmo código de conduta do Facebook, que vedaria o discurso de ódio.

Como é impossível lutar contra um dos maiores grupos de comunicação do mundo na atualidade, e muito menos impedir que estes grupos pratiquem a censura contra a voz da diversidade, precisamos ampliar os espaços de voz. Vamos utilizar outros canais como base para nossos textos, imagens e vídeos, como o YouTube, o Tumblr, o Pinterest e o Instagram, onde estes grupos intolerantes atuam com menos voracidade. Vamos usar blogs e sites como apoio para que, ainda que nossas postagens no Facebook sejam apagadas, nossos textos sigam ativos a ajudando na desconstrução da intolerância de nossa sociedade.

A única coisa que acontecerá é acabarmos tendo um pouco mais de trabalho para manter nosso ativismo do cotidiano vivo. Mas pra quem nasceu gay e gordo, em uma sociedade que tenta arrancar todos os acessos a dignidade e direitos que pessoas como eu tem, pra quem tem ao seu lado aliados como mulheres, negros, pessoas com deficiência, indígenas e idosos, não há o que temer. Se enfrentamos a o sistema opressor que tenta nos esmagar todos os dias com maestria, não serão inquisidores digitais que calarão nossa voz.

A diversidade grita, camarada. Prepare seus ouvidos.

En equipo se resuelve cualquier contratiempo

Cuando te picamos, picamos al mismo tiempo

Sobre nuestra unidad no debe haber preguntas

Frente al peligro las hormigas mueren juntas

Calle 13

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Rachel Sheherazade: o eco reacionário e fundamentalista na TV

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O jornalismo é um retrato da sociedade, e indubitavelmente é palco de disputas ideológicas entre correntes políticas e filosóficas, entranhadas sob a máscara da ‘imparcialidade’. Neste palco, uma personagem vem ganhando destaque como representante de vozes reacionárias, conservadoras e fundamentalistas religiosas: a jornalista Rachel Sheherezade, âncora do telejornal SBT Brasil.

Ela tornou-se célebre nacionalmente por um comentário onde criticava o carnaval da Paraíba, estado onde nasceu e iniciou sua carreira como jornalista. Aos 39 anos, deixou seu estado natal para assumir a bancada do principal telejornal do SBT e lá, continuou a se posicionar de forma dura sobre diversos pontos, sempre deixando claro suas visões de mundo conservadoras, usadas ad nauseam por reacionários por todo o Brasil.

Num estado democrático de direito, não há problema nenhum que Rachel expresse seus pontos de vista, por mais infelizes que a maioria deles seja. O problema é que a jornalista utiliza a bancada do telejornal para reforçar estereótipos e para atacar princípios constitucionais como a laicidade do estado. Sobre a decisão da Justiça Federal de São Paulo em negar pedido do Ministério Público Federal para obrigar a União e o Banco Central a retirada expressão “Deus seja louvado” das cédulas de real, Rachel despejou suas falácias em relação ao tema, dizendo que o ‘cristianismo está sendo perseguido pelos defensores do estado laico, que voltaram sua ira contra a minúscula citação nas notas’. Ignorando a história da civilização, acusou os defensores da laicidade do estado de ingratidão com a doutrina que, segundo ela, inspirou os valores, a cultura e a própria constituição federal, esquecendo que o estado não possui religião e não expressa religiosidade, sendo esta de foro íntimo dos cidadãos.

Como esperado, após a primeira incursão no campo da religião, uma especialidade da jornalista, Sheherezade voltou a repetir as mesmas falácias esquizofrênicas de perseguição religiosa contra cristãos, em um país onde mais de 90% da população professa a mesma tendência religiosa, quando da decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que determinou a retirada de crucifixos e símbolos religiosos dos prédios da Justiça gaúcha. Vestida de um coitadismo ímpar, ela engrossou o coro de fundamentalistas religiosos, classificando a decisão acertada do TJ-RS de ‘intolerância religiosa’, questionando a laicidade do estado com o argumento inacreditável de que ‘a constituição foi promulgada sob a proteção de deus’, ignorando que a frase consta APENAS no preâmbulo da Constituição, e que na prática, vale tanto quando o ‘volte sempre’ escrito em saquinho de padaria. Claro, ela ainda fez questão de ressaltar que 90% dos brasileiros são evangélicos ou católicos, defecando em cima das minorias religiosas, e até mesmo dos ateus, uma suposta supremacia cristã aparentemente inquestionável, de acordo com a moça.

Finalmente, para surfar na polêmica mais recente, Rachel Sheherezade rasgou o resto da fantasia democrática que vestia, ao defender a manutenção do deputado e pastor Marco Feliciano na presidência de Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Começando seu editorial com o coitadismo já demonstrado anteriormente, ela evoca que a liberdade de crença é um direito constitucional, e que não podemos confundir o pastor Marco Feliciano com o deputado. Como acredito que Rachel tenha aprendido pesquisa de pauta durante sua carreira, só posso crer que ela é mal intencionada ao ignorar que quem confunde as duas atribuições é o próprio deputado, inclusive ao tentar explicar porque paga pastores de sua igreja como ‘assessores parlamentares’, que não dão expediente em Brasília e nem em nenhum escritório político.

Na sequencia de falácias, que parece ser uma marca da âncora do SBT, ela faz questão de reafirmar que Marco Feliciano foi eleito democraticamente como deputado. E quem questionou o mandato (cheio de acusações de crimes) de Feliciano enquanto deputado? Novamente, uma pesquisa de pauta, mesmo que simples, apontaria que os protestos contra ele, classificados por Rachel como ‘gritaria’, são para que ele deixe a presidência da CDHM, e não seu mandato como deputado. E que fique claro para a jornalista que Feliciano não foi ‘democraticamente eleito’, mas estrategicamente colocado no cargo com a complacência de parlamentares do PT, PMDB, PSDB, PSB e DEM, dando 10 cargos da comissão ao PSC, ignorando os critérios de representatividade regimental dos partidos nas comissões. Foi apenas um acordo político, e não uma ‘eleição democrática’.

Pra fechar com chave de ouro, a jornalista ainda tem a pachorra de dizer que não se pode confundir as OPINIÕES PESSOAIS, por mais polêmicas que sejam, de Marco Feliciano com sua atuação como parlamentar. E desde quando essa separação é feita para qualquer ocupante de cargo público no Brasil? Quando um parlamentar dá entrevista, participa de um evento público ou emite QUALQUER opinião, quem está falando é o PARLAMENTAR, além do cidadão. Não há botão que alterne o político e o cidadão, e este, quando eleito, está 24 horas por dia investido do cargo para qual foi empossado. As opiniões de Feliciano, Sheherezade, não são ‘polêmicas’: são homofóbicas, machistas, misóginas, racistas, intolerantes com religiões minoritárias, reforçam estereótipos e preconceitos contra estas minorias, dando base para todo tipo de ação violenta (física ou psicológica) contra elas.

A defesa ensandecida por fundamentalistas religiosos como Marco Feliciano tem agradado reacionários de todos os campos, como o colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo, e o também pastor (e igualmente homofóbico) Silas Malafaia. Em Sheherazade, os reacionários de toda sorte encontram o eco para suas ideologias tortas e segregacionistas, que raramente encontrariam em outros jornalistas na grande imprensa (ao menos, não de forma tão explícita).

Democraticamente, não torço que Sheherezade saia do ar, pois acredito que ela realmente seja o eco de uma parcela da sociedade que, de uma forma ou outra, vai encontrar um canal para dar vazão ao seu chorume intolerante. Só espero que, amanhã e depois, os sons deste eco, carregado de moralismo e discriminação seja cada vez mais difícil de escutar em meio a gritos e cantos que louvem a igualdade, a diversidade e o amor incondicional a humanidade.

<<< Atualização >>>

No dia em que posto este texto, a jornalista Rachel Sheherezade nos brinda com mais um editoral cheio de conservadorismo religioso e poucos argumentos contra o aborto. Sem apontar um motivo plausível para que o aborto de fetos até 12 semanas não seja permitido, ela apela para todo o tipo de falácia: desde dizer que os médicos estariam propondo a mudança por interesses financeiros até tendo a coragem de comparar mulheres a NINHOS DE PÁSSAROS! É, Sheherezade realmente estudou a fundo as cartilhas conservadores, reacionárias e contra as liberdades da minorias.

Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

About 55,000 tourists visit Liechtenstein every year. This blog was viewed about 170.000 times in 2012. If it were Liechtenstein, it would take about 3 years for that many people to see it. Your blog had more visits than a small country in Europe!

Clique aqui para ver o relatório completo

Gandalf e Magneto são gays!

Sir Ian Murray McKellen é um ator inglês de teatro e cinema. Tornou-se especialmente conhecido pelo grande público após atuar na trilogia O Senhor dos Anéis, X-Men e O Código Da Vinci.

Esqueci alguma coisa? Ah, claro: ELE É GAY!

O ator foi eleito o homossexual mais influente do Reino Unido em pesquisa publicada pelo jornal The Independent. Ian McKellen assumiu sua homossexualidade no final da década de 1980 e é co-fundador do grupo de Stonewall, que faz campanhas pelos direitos dos homossexuais. Quando lançava O Código Da Vinci no Festival de Cannes, fez piadas quando perguntado sobre a polêmica do filme com a Igreja Católica: “Sei que a Igreja tem problemas com os gays. Essa é uma boa notícia para eles: Jesus não era gay!”, disse.

Eles tem Silas Malafaia pra lutar pelos direitos dos homofóbicos.

Nós temos Gandalf e Magneto!

George Michael critica grupo cristão que teria rezado por sua morte

O ‘amor cristão’ pode ser exemplificado neste matéria. Rezar para alguém morrer é uma das coisas mais infelizes que eu já li na minha vida. Sorte a do George Michael (e a nossa) de que rezar é completamente sem eficácia.

George Michael critica grupo cristão que teria rezado por sua morte

O cantor George Michael criticou os membros de um grupo cristão norte-americano com xingamentos depois de saber que eles teriam orado para que o cantor morresse durante sua recente batalha contra a pneumonia. As informações são do site Female First.

Assumidamente homossexual, Michael esteve bastante doente no mês passado e acabou usando sua conta de Twitter para, em inglês, atacar os cristãos que alegaram que ele poderia estar com AIDS, ao invés de pneumonia, dizendo que merecia morrer por causa de sua sexualidade.

George Michael escreveu: “vocês sabiam que, quando eu estava lutando por minha vida na Áustria, havia um monte desses adoráveis pessoas, que se intitulam ‘cristãos para uma América Moral’, que oravam o tempo todo para que eu morresse?”.

Na sequência, ele pediu desculpas aos “bons cristãos”, mas acabou xingando o tal grupo pelo microblog. E terminou: “Admito que já bebi alguns copos de vinho. É melhor ir para o jantar antes de entrar em mais algum problema. Amor a todos vocês”.

(Via Portal Terra)